sábado, 2 de julho de 2011

Spleen

Eu não consigo respirar

Meus alvéolos pulmonares não alimentam mais

Meu sangue está morto, coagulado!

Não há vida, apenas esse vivido mortificar


Meu coração bombeia um líquido negro

Minha alma não reconhece mais meu corpo

Seria eu um cadáver em decomposição?

Um fantasma no umbral?


Morto, eu sei. – um coração birrento tenho

Porque ele não para, porque a morte foi incompleta comigo?

Alivia-me saber que a morte virá terminar seu trabalho

Enche-me de paz a idéia de como será minha tumba.


Minhas sinopses não conduzem energia

Mesmo assim minha mente pensa nela

Meu fôlego está perdido

Paradoxalmente vivo com a decepção dessa terrível amante.


Lacrimejo angustia, ácido sulfúrico

Em carne viva, trincheiras pelo meu rosto pálido

Aflito eu me perco na pós-morte

Falecido eu ainda sinto a traição...

4 Delírios:

†Janaina† disse...

A morte em vida... As vezes é assim... Esta esta a se aproximar de mim...

@escobar_leticia disse...

Um morto vivo,um zumbi...quando não há mais motivo para viver,nada resta além de morrer.
Parabéns pelo poema.

Maurício Gnoatto disse...

Cara, tu precisando publicar esses poemas e textos hein...
Quem sabe a gente não junta os nossos e faz um compilado?

Fernanda Duarte disse...

Você não estava andando no século XIX e tropeçou num portal não, Felipe? :-) Deveras oitocentista que tu és. Amo o Romantismo também, mas em nome de mim mesma decidi não chafurdar nele. Ensolarar é tudo. :-) Quanto ao texto, recomendo evitar muita mistura da prosa na poesia; busque cortar palavras. Beijos e sucesso!